A
Copa do Mundo FIFA de 1994 foi sediada nos Estados Unidos, sendo a 15ª Copa do Mundo de Futebol a ser realizada.(17 de junho a 17 de julho)
Apesar da pouca tradição norte-americana no futebol, foi o mundial do país que bateu todos os recordes de público, mantidos até os dias de hoje.
Com um futebol extremante eficiente e com um grupo muito unido liderado pelo polêmico craque Romário, a Seleção brasileira conquistou o quarto título mundial ao bater a Itália nos pênaltis. A vitória do Brasil foi comemorada também como uma homenagem ao tricampeão mundial de fórmula 1 Ayrton Senna, morto em 1 de maio daquele ano.
Foi uma copa de surpresas. A Bulgária,
que até ali em 6 participações anteriores jamais havia vencido um jogo
de Copa do Mundo superou grandes favoritos, sendo a 2ª colocada em um
grupo que tinha a Argentina, além de eliminar em um jogo emocionante a Alemanha, até então a Campeã mundial, por 2 a 1 nas quartas de final. Outra surpresa foi a Nigéria, com seu futebol ofensivo. Romênia e Suécia também surpreenderam. Os suecos ficaram com o 3º lugar ao derrotar a Bulgária por 4 a 0.
A Copa foi aberta no estádio Soldier Field, em Chicago, no dia 17 de Junho de 1994, com direito a performance da diva Whitney Houston.
No mesmo dia, aconteceu o jogo de abertura entre a Alemanha (sua
primeira Copa reunificada) contra a Bolívia.
Os atuais campeões venceram
o jogo por um magro 1x0, gol do atacante Jürgen Klinsmann. Nesse jogo, o craque boliviano Marco Etcheverry,
que tinha tudo para se destacar, recebeu o primeiro cartão vermelho da
Copa ao agredir um jogador alemão, fazendo jus ao apelido de "
El Diablo".
Os então campeões do mundo ainda empatariam em 1x1 com a Espanha e
venceriam com dificuldades a Coreia do Sul por 3x2. Nas oitavas de
final, uma heróica vitória de 3x2 sobre a Bélgica e nas quartas, os
alemães foram derrotados pela Bulgária, de virada, por 2x1.
A Argentina, que tinha Gabriel Batistuta, Diego Simeone, Claudio Caniggia, Fernando Redondo e Ariel Ortega, caiu prematuramente nas oitavas de final, diante da Romênia de Gheorghe Hagi, Florin Răducioiu e Gheorghe Popescu, por 3 a 2. O escândalo de
doping do ídolo Maradona,
expulso do mundial, foi supostamente decisivo para o desequilíbrio do
time portenho, que vinha bem até então; entretanto, a Argentina só havia
enfrentado times fracos, e Maradona só havia feito um gol, contra a
inexpressiva Grécia, na vitória por 4x0, com um
hat-trick de Batistuta.
Estreante em copas, a Arábia Saudita mostrou ao mundo do futebol a que veio no terceiro jogo contra a Bélgica. Após receber a bola do campo de sua equipe, Saeed Al-Owairan decidiu partir para cima dos belgas e após driblar meio time, tocou na saída do experiente goleiro Michel Preud'homme,
um dos melhores do mundo na época, marcando o mais belo gol do Mundial.
Por causa do gol, Owairan ganhou de presente da família real saudita um
Rolls Royce
(carro mais luxuoso do mundo). Mas, no ano seguinte, ele praticou
adultério, um crime muito grave em seu país. Owairan foi julgado, ficou
um ano na cadeia e levou sessenta chibatadas (pena máxima nas leis
islâmicas) em praça pública, mas retornou ao futebol e participou da
Copa de 1998, sem muito sucesso.
País criador dos Jogos Olímpicos de Verão, a Grécia
passou despercebida no mundial. Também estreando no torneio, os seus
jogos serviram apenas para treinar os adversários na primeira fase, pois
perdeu as três partidas que disputou sem sequer balançar as redes,
terminando em último.
A grande decepção da Copa foi a Colômbia. Credenciada por uma implacável goleada contra a Argentina por 5 a 0, pelas eliminatórias, em plena Buenos Aires, os colombianos chegaram aos EUA com status de favoritos. Só que perderam na estréia para a Romênia
por 3 a 1 e perderam o rumo na competição. No jogo seguinte fizeram a
festa dos anfitriões perdendo por 2 a 1. A solitária vitória sobre a Suíça
por 2 a 0 só valeu para cumprir tabela e a seleção sul-americana voltou
a sua realidade de equipe de porte médio, e ao retornar, foi muito
ameaçada. O zagueiro Andrés Escobar (autor do único gol-contra no torneio) foi assassinado por um apostador que era membro do Cartel de Medellín. Os Estados Unidos,
o país-sede do torneio, fizeram boa campanha, terminando atrás dos
romenos e dos suíços. A campanha ianque no Grupo A foi a seguinte:
empate por 1 a 1 contra a Suíça (o gol norte-americano foi marcado por Eric Wynalda, numa magnífica cobrança de falta), 2 a 1 sobre a Colômbia (gols de Earnie Stewart e Andrés Escobar, contra), num jogo marcado pela espetacular bicicleta dada pelo zagueiro Marcelo Balboa, onde a bola passou raspando o gol de Óscar Córdoba, e uma derrota de 1 a 0 para a Romênia.

Participando de sua primeira Copa, a Nigéria
foi a esperança africana da Copa ao estrear com vitória aplicando 3 a 0
sobre a Bulgária. No primeiro gol marcado, o experiente Rashidi Yekini
se agarrou á rede e chorou dentro dela, numa cena que correu o mundo.
No segundo jogo, derrota de 2x1 para a Argentina, no último jogo de
Maradona em Copas. Mas as "
Super Águias" venceram a Grécia por 2 a 0 e se classificaram para as oitavas-de-Final. Nela, os nigerianos chegaram a abrir o placar com Emmanuel Amunike, mas a Itália, mesmo com um a menos (o meia-atacante Gianfranco Zola fora expulso) empatou, com Roberto Baggio, levando a partida para a prorrogação, quando o próprio Baggio marcou de pênalti o gol da dramática vitória italiana.
Mesmo que o jogo entre Rússia e Camarões tenha servido apenas para cumprir tabela, as duas equipes deixaram a Copa fazendo história com seus atacantes. O russo Oleg Salenko
se tornou o primeiro (e único) jogador a marcar cinco gols em uma única
partida de Copa do Mundo. Salenko terminou a Copa como artilheiro, ao
lado de Hristo Stoichkov, com 6 gols marcados. O camaronês Roger Milla,
aos 42 anos e 39 dias de idade, se tornou o jogador mais velho a marcar
um gol em Copas e o mais velho a disputar uma partida de Copa. Camarões
atravessava uma grave crise financeira, chegando ao ponto de cobrar
para dar entrevista aos jornalistas entrangeiros. Aborrecidos com a
derrota, a torcida camaronesa decidiu incendiar a casa de Joseph-Antoine Bell,
que se aposentou após o torneio. Os torcedores apontaram o goleiro, que
encerraria a carreira no mesmo ano, como principal responsável pela
fraca campanha dos
Leões.
A Bulgária nunca havia feito uma campanha tão surpreendente como a de
1994. Liderada em campo pelo artilheiro Stoichkov (companheiro de
Romário no ataque do Barcelona), a equipe estreou com derrota de 3 a 0
para a novata Nigéria, mas se redimiu ao derrotar a Grécia por 4 a 0
(primeira vitória búlgara em copas) e a Argentina por 2 a 0 na primeira
fase. Nas oitavas, um jogo dramático contra o México, Após o empate em 1
a 1, os búlgaros venceram nos pênaltis por 3 a 1, graças às defesas do
goleiro Borislav Mikhailov.
Nas quartas-de-final, uma vitória emocionate sobre a então campeã
Alemanha por 2x1. Mas na semifinal, derrota de 2 a 1 para a Itália e
apesar de ter perdido de 4 a 0 para a Suécia na disputa pelo terceiro
lugar, os jogadores búlgaros foram recebidos como heróis em seu país.

O Brasil, liderado por Romário, dirigido pela dupla Parreira-Zagallo,
foi para a Copa de 94 desacreditado pela difícil campanha que quase
custou a eliminação nas Eliminatórias. Jogando um futebol burocrático,
porém consistente em seu sistema de marcação e obediência tática, a
seleção canarinho tinha na dupla de ataque Bebeto e Romário sua principal arma. Na primeira fase, ganhou da Rússia por 2 a 0, de Camarões por 3 a 0 e empatou com a Suécia por 1 a 1. Nas oitavas, ganhou por 1 a 0 dos Estados Unidos em pleno feriado da independência americana. Nas quartas um grande jogo: Brasil e Holanda. A seleção marca 2 a 0 no segundo tempo, mas a Holanda reage com Dennis Bergkamp e Aron Winter. Branco
desempata, 3 a 2 e o Brasil volta às semifinais de uma Copa. A seleção
canarinho vence a Suécia com um gol de cabeça do baixinho Romário e 24
anos depois está numa final de copa, novamente contra a Itália. O time
de Roberto Baggio teve duas fases distintas: uma campanha razoável na 1ª
fase, classificando-se somente no número de gols marcados, em um grupo
considerado de nível técnico mediano, com seleções do porte de México, Irlanda e Noruega. Na partida contra a Noruega, houve a expulsão de Gianluca Pagliuca
- a primeira expulsão de um goleiro na história das Copas. Já na fase
subseqüente, a partir das oitavas, eliminou sucessivamente Nigéria, Espanha e Bulgária, todos por 2 a 1, sempre com Baggio brilhando.

A final entre Brasil e Itália
entrou para a história por dois motivos: primeiro, pelo fato de juntar
frente a frente duas das três únicas seleções que haviam conquistado
três edições de Copa do Mundo, portanto, uma delas acabaria se sagrando
tetracampeã, ultrapassando a rival; segundo, porque foi a primeira vez
em que a final de uma Copa do Mundo seria decidida na cobrança de tiros
livres da marca de pênalti.
O jogo terminou em 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação. A vitória
do Brasil veio após três erros italianos: uma defesa do goleiro Taffarel, em chute de Massaro, e mais dois chutes para fora dos craques italianos Roberto Baggio e Franco Baresi. Márcio Santos havia errado também sua cobrança, não sendo necessário ao Brasil efetuar todas as cobranças a que tinha direito.
O Brasil recuperava a coroa depois de 24 longos anos (cinco edições
seguidas sem vencer) e conquistava assim o inédito quarto título da Copa
do Mundo - chamado de Tetracampeonato -, fato só igualado no Mundial de
2006 pela própria Itália, quando a Brasil
já ostentava o título de pentacampeã - conquista obtida em 2002, na
Copa do Mundo organizada em conjunto por Japão e Coréia do Sul, a
primeira realizada em território asiático.
O maior destaque da Copa dos EUA foi o "baixinho" Romário, que com
seus cinco gols, e com uma assistência inesquecível - aquela em que
deixou Bebeto na cara do goleiro americano -, acabou confirmando a sua
espetacular fase vivida então no Barcelona, fazendo por merecer a escolha da Fifa que o elegeu o melhor jogador da Copa de 1994.
Ainda no campo de jogo, aproveitando os festejos pela conquista
histórica, a equipe decidiu homenagear o piloto brasileiro de Fórmula 1,
Ayrton Senna, que morrera cerca de dois meses antes em um terrível acidente ocorrido no GP de Ímola, em San Marino. A homenagem veio estampada no cartaz que dizia: "Senna, Aceleramos Juntos. O Tetra é Nosso".
Na finalíssima, o Brasil entrou em campo com a seguinte formação:
Taffarel; Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Branco; Dunga (C), Mauro
Silva, Mazinho e Zinho; Bebeto e Romário. Logo na primeira etapa, Cafu
substituiu Jorginho; e antes do início da segunda etapa da prorrogação,
Viola ocupou a vaga de Zinho.
Ao longo da competição, ficou popularizada uma frase dita por Galvão Bueno, principal locutor da Rede Globo de Televisão, direcionava ao goleiro brasileiro: "
Sai que é sua, Taffarel!"
Fonte
:http://pt.wikipedia.org/wiki/Copa_do_Mundo_FIFA_de_1994
Videos: Gols e a Grande Final Brasil x Itália.(melhores momentos)